“Ei! Preciso de um trago!”, gritei ao vento. Então O Senhor pegou uma garrafa de scotch pra mim. Até que enfim!
“Da na mesma”, pensei. Ou sonhei? Sem conhecimento, quase morto e metamorfoseado, estava me sentindo LIVRE! O Senhor deu uma risada louca e exclamou: “
Não entendo nada! Você tá fodido, meu filho!” Olhei o céu e repliquei:
“Adeus! Vai embora, pai!”. O Senhor tava bravo:
“Tem que respeitar! Tem que respeitar!”... Enquanto ele lançava por cima de mim muita chuva, trovões, raios e relâmpagos, eu sussurrava –completamente feliz- aquele belíssimo e desesperado blues...
«Nem me importa que mil raios partam qualquer sentido vago de razão... Eu vou dar com a minha cara de panaca pintada no espelho, e me lembrar sorrindo... que o banheiro é a igreja de todos os bêbados.» (*)
“Estou dizendo isto para o seu bem; estou fazendo aquela coisa para o seu bem…”. ¡Lógico! Quien intenta transmitir su “fe” (política o religiosa) siempre dirá que lo hace por el “bien” del otro. ¡Qué manía de “perfeccionar” al ser humano! Toda maniobra en ese sentido fue y seguirá siendo tan nociva como macabra. Más allá de discursos demagógicos, en general, somos terrible y humanamente individualistas (no egoístas, que los hay, pero es otra cosa). Los experimentos dogmáticos y “colectivos” de transformar una sociedad, conducen –de manera inexorable- al desastre (nazi, fascista, socialista). Quienes se han considerado embanderados de las “causas más nobles y justas”, han terminado creando y/o fomentando exactamente lo contrario (dictadura, asesinatos, persecuciones, destierros, etcétera). Todas las “utopías” han sido regresivas, reaccionarias; procuraron restaurar el antiguo «orden» social, político, económico (el imperio tal, o el imperio cual), o sustituir lo establecido por algo peor.
En general, desconfío de quienes posan -en público o en privado- como “buenas personas”. Mis parámetros no coinciden con los socialmente aceptados: La abrumadora mayoría de esas “causas” (y sus correspondientes fetiches), me inspiran desprecio, burla, resistencia. Abomino los proyectos de ingeniería social o moral del “progresismo” latinoamericano, y sé muy bien que para caerle simpático a determinada masa embrutecida, bastaría con hablar o escribir maravillas del islamismo, y pestes del cristianismo (en particular del catolicismo). Aun así, y a propósito de la visita del Papa a Brasil,
lo que escribió Hélio Schwartsman es -mais ou menos- lo mismo que pienso yo al respecto (como eterno pecador):
«Antes que me tomem por um anticlerical empedernido, devo dizer que estou entre as pessoas mais tolerantes do mundo. Ao contrário de muitos representantes dos meios seculares intelectualizados, não pretendo cassar [abolir] a palavra ao Vaticano. Suas posições contra o aborto, a eutanásia, o sexo antes do casamento, a camisinha, as drogas e a reprodução assistida são tão boas como as minhas a favor disso tudo. E, se eu tenho o direito de me manifestar, é líquido e certo que o papa também pode dizer o que pensa.
E é preciso reconhecer que ele o fez, talvez até com algum exagero. Em praticamente todas as suas intervenções por aqui, o sumo pontífice aproveitou para passar o seu recado [mensaje]. Nem bem desembarcou, condenou o aborto. Falou aos jovens e condenou o aborto. Criticou os traficantes e condenou o aborto. Abriu a conferência episcopal e condenou o aborto. Despediu-se e condenou o aborto. O lado bom é que agora não temos nenhuma dúvida [duda] de que a Igreja Católica condena o aborto.
De novo, não vejo problemas nas colocações papais. Quem partilha [comparta] do pressuposto da igreja de que existe uma moral eterna e incondicionada e aceita a noção de que a vida tem início na concepção não poderia mesmo dizer outra coisa. O católico que queira conservar-se um bom católico está obrigado a aceitar as determinações papais. Como cidadãos brasileiros, entretanto, cada um de nós é livre para escolher se vai ou não pertencer a uma igreja e mesmo se vai ficar com o "pacote completo" ou apenas com partes dele --o tal do "supermercado da fé" de que Bento 16 tanto se queixa. As lógicas civil e religiosa não se comunicam.
O "projeto" deste papa é justamente expurgar a Igreja Católica dos maus fiéis, que ficam apenas com o que lhes interessa da doutrina. Quer, de preferência, transformá-los em bons devotos, mas já antecipou que está disposto a levar a ortodoxia a ferro e fogo, mesmo que isso signifique a perda de adeptos. Não vejo grande chance de sucesso nessa empreitada [campaña], mas não sou eu quem vai ensinar o papa a rezar a missa.
O problema do catolicismo em sua vertente mais rígida é que ele é contra a natureza humana. Estamos, como qualquer animal, biologicamente programados para fazer sexo, pelo menos para os homens a estratégia mais comum é preferir a quantidade de parceiras à qualidade. Mais do que isso, temos (homens e mulheres) fortes inclinações para a busca do prazer -o hedonismo também tão criticado pelo papa- e não gostamos que imprevistos em princípio evitáveis ou reversíveis (como uma Aids ou uma gravidez não planejada) atrapalhem nossos planos de vida. Em uma palavra, somos terrível e humanamente egoístas.
Isso não significa, é claro, que uma vida "virtuosa" seja impossível. Há quem seja capaz de viver sem sexo. Alguns jovens conseguem manter-se virgens até o casamento. Existem até aqueles que podem aspirar à santidade, levando uma vida inteiramente dedicada a fazer o bem para outras pessoas. (Poderíamos, é certo, "diminuir" um pouco o significado desse altruísmo afirmando que os candidatos a santo são tão egoístas quanto qualquer outro ser humano, só que, em vez de aplicar suas energias em obter para si deliciosas noites de enlevos [encantos] lúbricos, concentram-se em garantir um lugar no céu [cielo], o prêmio máximo).
É no plano epidemiológico que os desígnios papais saem frustrados. Embora [aunque] a maioria das pessoas afirme acreditar [creer] numa próxima vida, age [actúe] como se esta fosse a única. Com efeito, nem os religiosos mais fervorosos parecem muito ansiosos para morrer. Esse, entretanto, seria o caminho "racional", a rota mais rápida para a tão almejada [anhelada] redenção. Homens-bomba são, felizmente, exceções no universo de gente com excesso de fé.
Gostemos ou não, a maioria das pessoas não quer ou não consegue viver segundo o manual de instruções do Vaticano. Farão sexo antes, durante e depois do casamento, usarão camisinha, não hesitarão [vacilarán] muito antes de recorrer a um aborto se se virem diante desse dilema, experimentarão drogas e, de vez em quando, até irão à missa.
Esse lado mais severo do catolicismo é compensado pela boa tolerância dos padres para com os pecadores. Se em termos contratuais a religião exige do adepto o quase impossível, isso é contrabalançado pela relativa facilidade com que o faltoso obtém perdão, confessando-se e penitenciando-se. Não é surpreendente, portanto, que os próprios católicos estejam entre os primeiros a admitir que não praticam sua religião de modo muito exemplar.
O estranho aqui é que Bento 16, por todos apontado como um rematado conservador, atue com o que, creio, são os mesmos cacoetes [tics] das utopias de esquerda. À sua concepção de religião parece subjazer um papel de força transformadora do homem e, em conseqüência, da sociedade. Se a maioria agir de acordo com a moral católica, além de povoar [además de poblar] o céu com mais almas, construiremos um mundo melhor. Não é por outra razão que o Vaticano procura convencer o Brasil a transformar o ensino [enseñanza] religioso, hoje optativo na rede pública, em obrigatório.
E não estamos falando de pequenas transformações, de modelagens, que o meio social de fato consegue imprimir ao homem, seja pela via da educação seja pela da repressão, mas de mudanças radicais e justamente nas esferas em que nossa animalidade se faz mais notável, como o sexo e manifestações de auto-interesse. Aqui, Bento 16 lembra [recuerda] muito seu compatriota Karl Marx. A diferença fica apenas por conta da localização do paraíso. Para o primeiro, nas alturas, para o segundo, na terra mesmo.
De minha parte, reservo-me o direito do ceticismo [escepticismo]. Não acho, por certo, que o homem seja um caso perdido. Se tomarmos uma escala de longo prazo, maior até que a da Igreja Católica, estamos melhorando. Já não atacamos nossos vizinhos apenas por receio [miedo] de que eles nos ataquem antes. Só que as mudanças [cambios] para melhor no comportamento humano vêm menos traumaticamente quando ninguém tenta impingi-las [introducirlas] através de projetos de engenharia social ou moral. Se o capitalismo tem alguma vantagem sobre o marxismo e o catolicismo, é que ele é menos ambicioso. Não tem a pretensão de alterar a natureza humana nem tenta negar-lhe os traços animalescos.» (**)
(*) «Down em mim» (Cazuza), Barão Vermelho, “Barão Vermelho”, 1982.-
(**) «Eterno pecador», Hélio Schwartsman, Folha Online, 17/05/2007. Las palabras entre [corchetes] son traducciones para facilitar la lectura a los lectores hispanoamericanos.-
Aviso aos navegantes: Eis aí um post longo e abrasileirado para os moleques chatos e indolentes que não gostam ler muito. Bom proveito, rapaziada!